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Fundação Kellogg poderá doar até US$25 milhões para promoção da equidade racial no Brasil

Data: 06/12/2011

Recursos serão investidos através do Fundo patrimonial Baobá, lançado ontem em Brasília. O Baobá, que conta com o apoio da Fundação Ford, poderá contar com a doação de R$1 pela Kellogg para cada R$1 que conseguir captar

Fundação Kellogg poderá doar até US$25 milhões para promoção da equidade racial no Brasil

Fundo, lançado ontem em Brasília, já conta também com o comprometimento da Fundação Ford

A Fundação Kellogg poderá vir a doar US$25 milhões para o financiamento de projetos e ações voltadas para a promoção da igualdade racial no Brasil até 2016. Os recursos serão doados através do Baobá – Fundo para a Equidade Racial, lançado ontem (05) em solenidade no Museu Nacional, em Brasília. Trata-se de uma associação sem fins lucrativos, por meio da qual serão mobilizados recursos para apoiar organizações que promovam a causa, com ênfase na inclusão das populações afrodescendentes.

A captação de recursos será uma das principais metas do Baobá, uma vez que a Fundação Kellogg está comprometida a doar R$1 para cada R$1 mobilizado pelo fundo junto a indivíduos e empresas no Brasil e no exterior, até o limite máximo de US$25 milhões. As doações podem ser feitas por indivíduos, agências de cooperação e de desenvolvimento internacional, empresas brasileiras e estrangeiras. A meta é mobilizar US$25 milhões em cinco anos.

No entendimento da ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, pelo ineditismo e em função das características da organização, o Baobá marca um ponto de inflexão no que se refere aos instrumentos e mecanismos de promoção da igualdade racial no Brasil. Segundo a titular da Seppir, o fundo fará a diferença no contexto atual da luta contra as desigualdades raciais, atuando em três áreas: na produção de informações baseadas em pesquisas de opinião; no âmbito da comunicação, a partir do estímulo à reversão da representação negativa da pessoa negra; e na captação de recursos.

Em seu processo de implantação, o Fundo Baobá deverá trabalhar no apoio a projetos em três áreas de intervenções prioritárias: visibilidade da população afrodescendente; temas estruturantes e promoção da equidade racial; e fortalecimento das organizações negras da sociedade civil.

O presidente da Fundação Kellogg, Sterling Speirn, reforçou a fala da ministra, caracterizando a importância da comunicação no enfrentamento do racismo, e estabeleceu paralelos entre a juventude negra brasileira e a estadunidense em questões relativas à mortalidade e à violência. “Os jovens afrodescendentes são mais vulneráveis e, tanto a comunicação como a produção de informações são fundamentais no enfrentamento do racismo e na garantia dos direitos dessas pessoas”, afirmou.

Para a gestora da Secretaria Nacional da Juventude, Helena Abramo, os jovens vivem hoje um conflito determinado por um lado pelos avanços de políticas públicas em áreas como a educação, por outro, por dificuldades de inserção no mercado de trabalho e a violência. “A juventude negra é a mais atingida e isso requer um tratamento consistente que reverta esse quadro”, afirmou. Abramo participou, na manhã de hoje (06), de reunião estratégica entre representantes da Kellogg, do Fundo Baobá e do Governo Federal.

Objetivos
Segundo o diretor Executivo do Baobá, Athayde Motta, o fundo foi estruturado nos moldes de organizações congêneres já em funcionamento em outras partes do mundo. “O objetivo principal do Baobá é estabelecer e administrar seu próprio fundo patrimonial e mobilizar recursos, no Brasil e no exterior, tornando-se política e financeiramente sustentável no longo prazo, e capaz de apoiar programas auto-gestionados e iniciativas pró-equidade racial lideradas por organizações de defesa de direitos dos afro-brasileiros”, explicou o gestor.

Outros objetivos

- Apoiar o desenvolvimento institucional e maior efetividade política das organizações de defesa de direitos afro-brasileiras, por meio da capacitação de suas lideranças e da melhoria da capacidade gerencial destas organizações, por um lado, e produzindo, organizando e disseminando conhecimento e informações pró-equidade racial que possam empoderá-las.

-  Fortalecer organizações afro-brasileiras da sociedade civil, assim como outros movimentos sociais, lideranças e organizações da sociedade civil (OSCs) comprometidas com as lutas antirracistas, e conscientizar tomadores de decisão sobre a importância de promover mudanças efetivas no aparato político-institucional que impede o alcance da equidade racial no Brasil.
 

Coordenação de Comunicação

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