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Sítio Arqueológico Cais do Valongo é reconhecido como Patrimônio Mundial

por publicado: 11/07/2017 15h33 última modificação: 11/07/2017 15h33

O Sítio Arqueológico Cais do Valongo recebeu neste domingo (09/07) o título de Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Com importância histórica, arqueológica e cultural, o lugar é composto dos vestígios do antigo cais de pedra, construído a partir de 1811, para o desembarque de africanos escravizados no porto do Rio de Janeiro.

A ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, uma das responsáveis pelo processo de candidatura do Cais do Valongo à honraria, ressalta que “o local remete ao período da escravidão, além de lembrar a todos o sofrimento e crueldade impostos aos negros”. Segundo ela, “a ocasião do mérito também é propícia para discutir as consequências de um passado escravocrata, a partir da análise da desigualdade racial e socioeconômica que persiste no país”.

“Há um projeto para que no local funcione um museu afro, com peças e materiais de importância crucial para a nossa cultura”, acrescenta a ministra.

O Valongo compõe uma região conhecida como Pequena África, uma área que integra a zona portuária do Rio de Janeiro e diversos locais com habitantes descendentes de escravizados, entre eles, o Quilombo Pedra do Sal.

O documento com a proposta de inscrição do Sítio Arqueológico ao título mundial foi elaborado no início do ano passado, com a autoria do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a colaboração de instituições como a Secretaria Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), do Ministério dos Direitos Humanos (MDH).

Abolicionismo

Ao lado do Cais do Valongo tem um espaço que guarda aspectos da memória da resistência e da luta abolicionista. Trata-se do prédio das Docas Pedro II.

O edifício era um armazém para grãos de café, único prédio de grande porte, na época, a ser construído sem a utilização de mão de obra cativa. Essa foi uma exigência de André Rebouças, responsável pela construção das Docas Pedro II e diretor da companhia de mesmo nome.

Rebouças, um abolicionista, integrante de algumas sociedades antiescravagistas, como a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, a Sociedade Abolicionista e a Sociedade Central de Imigração, conferiu a essa obra um lugar simbólico na luta pelo fim da escravidão.