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CNPIR aprova manifesto

por publicado: 27/04/2017 15h15 última modificação: 27/04/2017 15h15

O Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), reunido em sua 57ª Reunião Ordinária, denuncia o crime de racismo praticado contra a conselheira da sociedade civil neste Conselho e militante do Coletivo Enegrecer, Dandara Tonantzin, ocorrido no dia 23 de abril de 2017, durante a formatura dos cursos de engenharia civil e ambiental da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em Minas Gerais.

Na ocasião, a supracitada conselheira usava turbante e alguns dos presentes o puxaram, arrancando-o de sua cabeça, jogando-o ao chão e despejando cerveja sobre ela. Muitas pessoas testemunharam a agressão, e seguranças chegaram a retirar os agressores do espaço. Além da violência física, a conselheira sofreu violência verbal proferida por pessoas amigas dos agressores que estavam na festa.

Após o ocorrido, Dandara postou em sua rede social a denúncia da situação constrangedora e violenta a que foi submetida e novamente foi vítima de racismo, desta vez por meio de comentários postados no próprio perfil virtual, racistas, de ódio e de intolerância. Casos como este acontecem todos os dias no Brasil e no mundo. Este tipo de violência afeta, com frequência assustadora, incontáveis mulheres negras que afirmam sua identidade a partir do uso de vestimentas próprias à cultura negra, quase sempre também símbolos de resistência e de luta em defesa dos direitos identitários, sociais e econômicos próprios e do conjunto da população negra brasileira.

Este Conselho insta, ainda, a direção da instituição Universidade Federal de Uberlândia, parte do Estado Brasileiro, que tome medidas cabíveis em relação aos implicados neste crime de racismo, posto que tomavam parte de ato de formatura de um de seus cursos e em seu nome publicamente se apresentavam, ainda que em evento festivo e externo às suas dependências. E, mais, compreende este CNPIR que a Universidade Federal de Uberlândia deve se manifestar publicamente acerca do episódio, seja para salvaguardar sua imagem pública, seja para indicar que não se dissocia das políticas do Estado Brasileiro de combate ao racismo e de promoção da igualdade racial, seja para auxiliar no combate aos crimes de racismo e de intolerância por meio da divulgação dos mesmos e de sua condenação, tanto para educar o conjunto da sociedade no que toca ao racismo, quanto para alertar das consequências legais àqueles que praticam e glorificam crimes de racismo, de ódio e de intolerância.