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Mapa da Violência 2016: morrem 2,6 vezes mais negros que brancos vitimados por arma de fogo

Estudo produzido pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) tem foco na questão da violência por armas de fogo e suas variáveis.

por publicado: 26/08/2016 13h15 última modificação: 26/08/2016 13h15

Foi lançado nesta quinta-feira (25/8) o Mapa da Violência 2016 – produzido pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) - com foco na questão da violência por armas de fogo e suas variáveis. De acordo com o Mapa, vem aumentando a violência contra a população negra no país. A taxa de homicídios de negros aumentou 9,9% entre 2003 e 2014, passando de 24,9% para 27,4%. Pela pesquisa, a vitimização negra do país, que em 2003 era de 71,7%, mais que duplicou: em 2014 alcançou 158,9%, o que significa que morrem 2,6 vezes mais negros que brancos vitimados por arma de fogo.

Os homens representam 94,4%, na média nacional, de vítimas por homicídios por armas de fogo e a principal vítima é a juventude na faixa de 15 a 29 anos de idade. No conjunto da população, o número de homicídios por armas de fogo passou de 6.104, em 1980, para 42.291, em 2014, um crescimento de 592,8%. Mas na faixa jovem esse crescimento foi bem maior, passando de 3,1 mil homicídios por armas de fogo em 1980, para 25,2 em 2014, um aumento de 699,5%.

A região Nordeste foi a que apresentou as maiores taxas de homicídios por armas de fogo em quase todos os anos da década 2004/2014 analisada, com taxa média em 2014, de 32,8 homicídios por armas de fogo por 100 mil habitantes. As seis capitais com maiores taxas de homicídios por armas de fogo em 2014 — Fortaleza, Maceió, São Luís, João Pessoa, Natal e Aracaju — são do Nordeste, região que teve o maior crescimento médio no período: 89,2%.

O Mapa da Violência compõe uma série de estudos desenvolvida pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, desde 1998, que tem como temática a violência. Desde então, seus estudos têm contribuído de forma decisiva para que a sociedade brasileira reflita sobre as muitas formas de violência que acontecem no país.

Confira o estudo completo aqui: MAPA DA VIOLÊNCIA 2016

Evolução dos homicídios por armas de fogo: 1980-2014
Segundo a Flacso, de 1980 até 2014 morreram no Brasil 967.851 vítimas de disparo de arma de fogo. Desse total 830.420 (85,8%) foram homicídios. Entre 1980 e 2003, o crescimento dos homicídios por armas de fogo foi sistemático e constante, com um ritmo enormemente acelerado: 8,1% ao ano. A partir do pico de 36,1 mil mortes, em 2003, os números, em um primeiro momento, caíram para aproximadamente 34 mil e, depois de 2008, oscilaram em torno das 36 mil mortes anuais, para acelerar novamente a partir de 2012. Assim, no último ano com dados disponíveis, temos um volume de 42,3 mil homicídios por armas de fogo. O Estatuto do Desarmamento e a Campanha do Desarmamento, iniciados em 2004, constituem-se em um dos fatores determinantes na explicação dessa quebra de ritmo.

Os homicídios por armas de fogo tiveram uma participação crescente ao longo do tempo no total de homicídios do país. Em 1983, 36,8% do total de homicídios foi cometido por algum tipo de arma de fogo. Essa participação foi crescente até 2004, quando atingiu a marca de 70,7%. A partir dessa data (Estatuto do Desarmamento) a participação se estabilizou em torno de 71%. Em 2014 foram poupadas 17.173 vidas que, somadas às taxas dos anos anteriores, totalizam 133.987 vidas poupadas em função do Estatuto do Desarmamento.

Estatísticas internacionais
O Brasil, com taxa de 20,7 homicídios por arma de fogo por cada 100 mil habitantes, ocupa a 10ª posição entre os 100 países analisados. Os dez países com as maiores taxas de homicídios por arma de fogo são: Honduras (1º), El Salvador (2º), Ilhas Virgens (3º), Venezuela (4º), Colômbia (5º), Bahamas (6º), Belize (7º), Porto Rico (8º), Guatemala (9º) e Brasil (10º).

Fonte: Flacso